Porque mentem os prefeitos?
- Marcio Nolasco
- 21 de fev.
- 3 min de leitura
Gestores públicos dos municípios brasileiros falam em samear a verdade porém mentem para si mesmos, seria um tipo de doença política crônica?
Claro e logicamente que não são todos os prefeitos brasileiros entre os 5.569 municípios do território nacional que tem parentesco com o Pinóquio. A gama de mentirosos ainda é grande, e a mentira reina em centenas e centenas de gabinetes das nossas prefeituras municipais em grande parte de nosso país, a mentira nas prefeituras ultrapassa as fronteiras estaduais.

Se perguntássemos aos brasileiros se acham que os prefeitos mentem habitualmente, a grande maioria, talvez nove em cada dez, responderia que sim.
A ideia de que os prefeitos são mentirosos contumazes e incorrigíveis está profundamente enraizada na relação entre eles e os seus eleitores, suas atitudes e agora com o mundo digital, suas divulgações em redes sociais dão um plus em suas mentiras.
É certo que essa ideia se inscreve numa crença popular mais geral de que todos ou quase todos os prefeitos são basicamente desonestos, oportunistas e preocupados com o seu interesse pessoal e não com o bem comum, indubitavelmente que temos muitas exceções. A diferença está em que, enquanto que esta apreciação generalizada é falsa, perniciosa e remete para a tradicional inveja dos medíocres - tão característica da nossa maneira de ser - já a ideia de que os prefeitos mentem com uma frequência inabitual é, infelizmente, verdade assente em fatos concretos.
Pessoas que, na vida civil, são sérias e verdadeiras, incapazes de mentir de olhos nos olhos, habituam-se com uma facilidade estranha a mentir, quando pela frente têm não o par de olhos do interlocutor momentâneo, mas sim a massa anônima e invisível dos destinatários do discurso político (o povo). Se perguntarmos aos prefeitos, por sua vez, por que mentem eles, a resposta fatal é negar essa afirmação e você com toda certeza arrumaria um grande desacordo em relacionamento amigável e democrático, tudo porque questiona a mentiras de ordem política dos prefeitos.
Se insistirmos muito e os conseguirmos atrair para um "momento de verdade", talvez nos confessem então que mentem por necessidade circunstancial: para defender o que acreditam ser o bem comum ou uma política que precisa ser levada a cabo, ou ainda para não quebrarem os vínculos com o corporativismo e o "sistema". No fundo, no fundo os fins justificam as mentiras - quase sempre, quase!
Entre os prefeitos a mais comum das formas de mentir, no processamento dos trabalhos de suas gestões é a omissão de fatos inconvenientes, mesmo e sobretudo quando eles são de interesse político e público. Uma má notícia nunca parte espontaneamente da boca de um prefeito ou de forma geral dos políticos: quando muito ele confirma-a, depois de ela ter sido denunciada por outrem, ou tenta com mais uma mentira contornar e abafar a situação...
Nenhum prefeito jamais aparece espontaneamente a confessar: "Falhei totalmente as minhas previsões ou as medidas que tomei nesta matéria. Errei!"
Neste domínio, as mentiras mais correntes têm a ver com promessas não cumpridas e cujo não cumprimento é deliberada e estrategicamente silenciado, ou ainda na omissão ou transmissão desordenada das informações...
Bem caros leitores, vivemos num Brasil democrático e com liberdade de expressão, basta apenas que os prefeitos calibrem antes de soltar o verbo o que são as verdades e as mentiras... é assim que é...
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