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Parada LGBT+ de Maringá: Entre a Celebração e a Urgência da Luta

Parada do Orgulho LGBT+ de Maringá, marcada para o dia 18 de maio, ressoa com a força simbólica de ocorrer logo após o Dia Internacional de Combate à LGBTIfobia, 17 de maio. Essa data nos recorda um momento histórico de despatologização da homossexualidade pela OMS, um marco na nossa jornada por reconhecimento e respeito. Celebrar a diversidade em Maringá, portanto, transcende a festa, sendo um ato de reafirmação da nossa existência e resistência em uma cidade extremamente conservadora, religiosa, elitista e por sua vez racista, machista e LGBTIfobica.



Contudo, a organização do evento  levanta preocupações que não podem ser ignoradas. A tradição de dificultar ou impedir  que ativistas políticos e militantes façam falas no trio elétrico soa como um retrocesso para um movimento que historicamente se construiu na contestação e na reivindicação. Uma parada LGBT+ é, por natureza, um espaço de manifestação política, onde se expõem as demandas da comunidade e se denuncia  as violências a que os nossos corpos estão expostos. Centralizar o discurso e silenciar as vozes da ampla militância, que carregam a experiência da luta diária e o conhecimento das necessidades urgentes, esvazia o potencial transformador do evento.


Essa restrição se torna ainda mais questionável diante da falta de transparência na seleção dos artistas que se apresentarão na parada. Diferentemente de outros eventos similares que abrem espaço para a diversidade de talentos através de seleções e chamamentos públicos, a ausência de informações claras sobre o processo em Maringá levanta dúvidas sobre a representatividade e as oportunidades oferecidas aos artistas locais da comunidade LGBT+; e não adianta questionar a organização porque os seus comentários podem ser apagados da publicação, como aconteceu com algumas pessoas.


Essa falta de abertura na organização da parada reflete uma contradição dolorosa: a luta por respeito não se restringe ao mundo exterior à comunidade LGBT+. Internamente, também enfrentamos desafios para garantir que todas as vozes sejam ouvidas e que a diversidade seja verdadeiramente celebrada. Assim como combatemos o preconceito na sociedade, precisamos assegurar que dentro da nossa própria comunidade não haja espaço para o silenciamento e a exclusão.


Ademais, a comunidade LGBT+ de Maringá enfrenta ameaças concretas que evidenciam a urgência da luta política. Projetos de lei propostos pelas vereadoras Cris Lauer e Giselle Bianchini, que visam proibir a participação de menores de idade na parada e restringir o uso de símbolos religiosos, são ataques diretos à nossa liberdade e à nossa própria existência. Ignorar que pessoas LGBT+ não nascem com 18 anos e tentar impedir a manifestação das diversas formas de fé presentes na comunidade é uma forma de censura e de apagamento de identidades plurais. A proibição da participação de menores ignora a realidade de jovens LGBT+ que buscam acolhimento e visibilidade, enquanto a restrição de símbolos religiosos desconsidera a fé como parte da identidade de muitos membros da comunidade.


Diante desse cenário, a Parada LGBT+ de Maringá deste ano se apresenta como um momento crucial de celebração, mas também de profunda reflexão e resistência. É essencial que a organização repense suas práticas, abrindo espaço para a participação política e garantindo a transparência na seleção artística. A luta por respeito e igualdade não pode ser silenciada, nem dentro, nem fora da nossa comunidade. Que o dia 18 de maio seja um marco de alegria e de reafirmação da nossa luta contra todas as formas de opressão e por um futuro onde a diversidade seja não apenas tolerada, mas celebrada em sua plenitude.

 

 Leonna Moriale

Travesti Arte’ativista

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