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O Abuso Sexual Infantil

O abuso sexual infantil é uma violação devastadora que ultrapassa os limites físicos e emocionais de uma criança, causando danos profundos e duradouros.



Além das consequências óbvias da invasão do corpo da criança e uma dilapidação de suas vontades, as consequências do abuso sexual infantil são devastadoras e podem afetar a vida da vítima de diversas maneiras. Crianças que sofrem esse tipo de abuso frequentemente enfrentam problemas emocionais e psicológicos graves, como depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático. Por exemplo, uma criança abusada pode ter dificuldade em confiar nos outros, desenvolver comportamentos autodestrutivos e enfrentar problemas de relacionamento na vida adulta. Ela pode sofrer também o impacto no desempenho escolar e no desenvolvimento social bem significativo, muitas vezes resultando em isolamento e dificuldade em alcançar seu pleno potencial.


Destaco três temas importantes: Assédio, Abuso e Violência Sexual.


O assédio envolve comportamentos que causam desconforto ou medo na criança, sem necessariamente envolver contato físico. Pode incluir comentários inadequados, exibição de material pornográfico ou qualquer forma de aproximação sexual não desejada.


O abuso sexual envolve contato físico e atividades sexuais impostas à criança. Este contato pode variar desde carícias até penetração, e é caracterizado pelo uso de coerção, manipulação ou força para satisfazer desejos sexuais do abusador.


O abuso sexual caracteriza-se por qualquer ação de interesse sexual de um ou mais adultos em relação a uma criança ou adolescente, podendo ocorrer tanto no âmbito intrafamiliar – relação entre pessoas que tenham laços afetivos, quanto no âmbito extrafamiliar – relação entre pessoas que não possuem parentesco (Florentino, 2015).


Em nossa cultura, o incesto é uma das formas de abuso sexual mais frequente, sendo este o que geralmente causa consequências – em nível psíquico – extremamente danosas às vítimas (Florentino, 2015).


Já a violência sexual é a forma mais extrema de abuso, envolvendo agressões físicas que causam danos corporais e psíquicos graves à vítima. Este tipo de violência frequentemente resulta em traumas profundos e duradouros.


A violência sexual caracteriza-se: [...] por um ato ou jogo sexual, em uma relação heterossexual ou homossexual, entre um ou mais adultos e uma criança ou adolescente, tendo por finalidade estimular sexualmente esta criança ou adolescente, ou utilizá-la para obter uma estimulação sexual sobre sua pessoa ou de outra pessoa (AZEVEDO; GUERRA, 1998, p.33). Destaca-se que a violência sexual pode ser compreendida a partir de duas especificidades/peculiaridades: exploração sexual e abuso sexual (Florentino, 2015).


É muito necessário falarmos do excesso, a sexualidade em excesso. Na psicanálise, o conceito de excesso em sexualidade refere-se à hiper estimulação e à exposição precoce da criança a conteúdo ou comportamento sexual inadequado para sua idade. Este excesso pode provocar confusão, ansiedade e dificuldades no desenvolvimento saudável da sexualidade.


O artigo "As possíveis consequências do abuso sexual praticado contra crianças e adolescentes" (Florentino, 2015) destaca as graves repercussões do abuso sexual na vida das vítimas. A literatura aponta para um aumento significativo de riscos de psicopatologias graves, incluindo transtornos de ansiedade, depressão, comportamento autodestrutivo e dificuldades no estabelecimento de relações interpessoais saudáveis.


Florentino (2015) destaca que a violência doméstica, segundo Adorno (1988), é uma forma de relação social que está diretamente relacionada ao modo pelo qual os homens produzem e reproduzem suas condições sociais de existência. Ao mesmo tempo, ela é a negação de valores considerados universais, como liberdade, igualdade e a própria vida. Neste processo, a criança e o adolescente são as maiores vítimas de atos abusivos e maus-tratos, ocasionados por sua maior vulnerabilidade e dependência.


Os estudos mostram que as crianças abusadas sexualmente tendem a apresentar sintomas como isolamento social, baixa autoestima, comportamentos agressivos ou retraídos e problemas de aprendizagem. A violação dos limites psíquicos e corporais interfere no desenvolvimento emocional, resultando em uma série de distúrbios psicológicos que podem persistir na vida adulta.


O que se observa na literatura existente é a concordância entre os especialistas em reconhecer que a criança vítima de abuso e de violência sexual corre o risco de uma psicopatologia grave, que perturba sua evolução psicológica, afetiva e sexual (Romaro; Capitão, 2007, p. 144, citado por Florentino, 2015).


Além dos traumas psicológicos, o abuso sexual pode causar danos físicos imediatos e a longo prazo, como lesões genitais, doenças sexualmente transmissíveis e problemas reprodutivos. A exposição a situações de violência extrema pode também levar a problemas somáticos, como dores crônicas e distúrbios psicossomáticos.


Dalgalarrondo (2000) indica que alguns estudos apresentam resultados que confirmam existir uma forte relação entre ter sofrido abuso na infância e transtornos de conduta na adolescência e na vida adulta. Alguns transtornos são classificados como transtorno de identidade de gênero. Há também os transtornos de preferência sexual, que incluem as parafilias como fetichismo (dependência de alguns objetos inanimados com estímulo para a excitação e satisfação sexual); voyerismo (excitação sexual em olhar pessoas envolvidas em comportamentos sexuais ou íntimos); sadomasoquismo (preferência por atividade sexual que envolve servidão ou a influição de dor ou humilhação); pedofilia (preferência sexual por crianças púberes); e outras, conforme descritas na Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento – CID – 10 (Organização Mundial de Saúde) (citado por Florentino, 2015).


A prevenção do abuso sexual infantil deve ser uma prioridade absoluta na sociedade. É condição de sobrevivência que as comunidades, escolas e famílias estejam bem-informadas e preparadas para identificar sinais de abuso e agir rapidamente para proteger as crianças. Campanhas educativas e treinamentos especializados para pais, professores e profissionais de saúde são essenciais para criar um ambiente de vigilância e suporte.


O acolhimento das vítimas deve ser feito com sensibilidade e empatia. É fundamental que as crianças abusadas recebam apoio psicológico adequado e contínuo, para que possam superar os traumas e desenvolver-se de maneira saudável. Serviços de assistência social, linhas de apoio e centros de atendimento especializados precisam estar disponíveis e acessíveis a todas as vítimas e suas famílias.


Não podemos tolerar a violação dos direitos das crianças. Cada caso de abuso sexual infantil é uma tragédia que demanda uma resposta firme. É nossa responsabilidade coletiva assegurar que todas as crianças cresçam em ambientes seguros, onde possam se desenvolver plenamente sem medo ou ameaça.

 

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Psicóloga Auriciene Lidório

Registro: CRP 08/20137 - CNES: 4598431

Whatsapp: (43) 98823 2903

 

 

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