top of page
236a7e59341bcfaf7ecf8bd6ba51d866.gif

Guto Silva embola sucessão estadual.

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e comunicador.


O Paraná já antevê uma novidade no quadro sucessório, com a possibilidade real de três forças quebrarem a polarização que já se tornou tradicional no país. Salvo alterações não previstas na foto atual, o Senador Sergio Moro, nome com maior recall na largada e líder das sondagens preliminares, enfrentará um candidato com apoio da esquerda, provavelmente um nome mais ao centro, e o candidato da situação que tem o presidente da Assembleia Alexandre Curi como favorito, pela inquestionável vantagem na relação de forças internas do PSD, mas que sofre a concorrência de dois nomes também bem-posicionados.



O maior problema se chama Rafael Greca que precisa se encaixar na equação da chapa da situação sob pena de migrar, com status de estrela, para o time de Moro. É muito provável que Greca nem mesmo tenha saúde para enfrentar o desafio de uma eleição majoritária, com as naturais exigências de deslocamento pelo estado, mas todos reconhecem seu potencial eleitoral em Curitiba e região metropolitana, exatamente as deficiências das demais alternativas da situação. O desenho ideal coloca Greca como o vice dos sonhos, capaz de quebrar a vantagem que a República de Curitiba pode oferecer ao Senador Moro.


Correndo por fora, mas com todo jeito de opção preferencial do governador, o atual secretário de planejamento Guto Silva pode ser transferido para a Secretaria das Cidades, caminho percorrido pelo atual governador que permitiu pavimentar seu caminho até o Palácio Iguaçu. Guto terá um ano para tentar equilibrar o jogo, reduzindo a vantagem de Alexandre Curi, na vaga de titular na sucessão.


Se consigo fazer esta leitura, nada mais natural que Rafael Greca já tenha entendido que a possibilidade de ter o coletivo de prefeitos batendo na porta, como ocorre na cacifada Secretaria das Cidades, pode desequilibrar o jogo e o deixar refém as decisões do PSD, com a reação prevista. Qualquer outra secretaria será agora apenas um prêmio de consolação e, talvez, Greca prefira esperar liberado, como observador privilegiado, as próximas etapas do jogo sucessório. Este é o nó que o governador Ratinho precisa desatar para seguir mais leve para as articulações nacionais.


A premissa da reforma do secretariado era amarrar o conjunto de forças estaduais em um arranjo que deixasse pouco espaço de manobra para a oposição, raciocínio que se estende aos nomes mais relevantes, mas também para as siglas que precisam ser contempladas. Dessa forma, ex-prefeitos, como o próprio Greca, Paranhos de Cascavel, Belinati de Londrina, Ulisses Maia de Maringá, dentre outros, precisam ser abrigados no guarda-chuva governamental, em cargos com caneta e visibilidade para construir seus projetos para o legislativo, também impedindo que reforcem o elenco adversário.


Analisando um horizonte de apenas quinze meses, não há espaço nem recursos no governo que permitam contemplar tantos interesses, considerando que PP, PL, MDB e demais siglas também precisam perseguir seus objetivos e, com tantos nomes e siglas, as quatro vagas disponíveis, governador, vice e duas para o Senado, parecem insuficientes para o necessário ajuste.


Considerando que, mesmo conhecendo a força do grupo de situação, teremos uma eleição mais equilibrada, onde a expectativa de poder se estende também para as demais alternativas, onde ainda sobram espaços para composição, quem se sentir desprestigiado pode preferir uma aposta mais arriscada, permitindo prever que a situação não chega no processo eleitoral com o atual peso político, pela dificuldade de escalar todos em posição de destaque.


Alexandre Curi, Guto Silva e Rafael Greca são opções para a majoritária, e isto significa que dois deles poderão ser deslocados para as outras três vagas disponíveis (vice e duas do senado), com um grande congestionamento de nomes como Filipe Barros, Paulo Martins, Ricardo Barros, Orlando Pessuti, Sandro Alex, Beto Preto, citando apenas as alternativas mais óbvias. É muita gente e não consigo vislumbrar uma engenharia política que atenda a tantos interesses.


 Importante também conjugar a leitura local com a nacional e isto significa colocar mais variáveis na equação, registrando que o êxito de Ratinho nas articulações para a sucessão de Lula pode facilitar o ajuste, mas, parece mais razoável supor que as composições nacionais interfiram no Paraná porque é muito improvável que o leque de siglas da situação aqui repitam o desenho na eleição nacional, sendo a própria posição do PSD, que pode até mesmo indicar o vice de Lula ou liderar a chapa de oposição, com o PL na carona, tenham poder de alterar os acordos locais.


Ratinho me movimenta com desenvoltura no quadro nacional, sendo o mais ativo dos players, se quiser terá espaço para a disputa, mas demonstra ter juízo suficiente para buscar um ajuste mais sólido, sob pena de aceitar a vaga de vice porque tem idade e fôlego para esperar 2030, todavia talvez estes quatro anos, com Tarcisio de Freitas e João Henrique Campos na estrada, sejam ainda mais espinhosos e, agora, para quem tem esta disposição, até perder pode ser um ótimo caminho para se impor como liderança nacional.


Com excesso de boa vontade, Ratinho precisa definir o seu espaço nacional em até doze meses, que lhe permitiriam outros três para acertos internos, mas, em qualquer alternativa sob risco de transformar 2026 em “all in” eleitoral.


É provável que o desenho paranaense seja o mais complexo do país, pela indefinição de Ratinho e o leque triplo de alternativas eleitorais e, como é natural nos arranjos de São Paulo e Minas, talvez seja o Paraná a primeira peça a ser movimentada no sempre surpreendente jogo de concessões que as siglas fazem para garantir estados importantes e este é outro grande desafio.


Ratinho, candidato pelo PSD, pode impor concessões em outros estados que Gilberto Kassab, líder da legenda, ainda não demonstrou interesse em ceder. Por isso, o governador paranaense tem pressa e vai gastar noventa dias, licenciado do cargo, para medir suas forças e tomar uma decisão mais serena.


De longe, parece que Ratinho aceita o risco da disputa nacional, mas quer segurança de manter a chave do Iguaçu em mãos confiáveis e, arrisco um palpite, Guto Silva parece mais próximo do desenho que o governador paranaense deseja.

Comments


21212121.png
WhatsApp Image 2024-12-11 at 15.32.31.jpeg

Nota do editor: os textos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais iconográficos publicados nos espaços “colunas” não refletem necessariamente o pensamento do bisbilhoteiro.com.br, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

* As matérias e artigos aqui postados não refletem necessariamente a opinião deste veículo de notícias. Sendo de responsabilidade exclusiva de seus autores. 

Portal Bisbilhoteiro Cianorte
novo-logotipo-uol-removebg-preview.png
Selo qualidade portal bisbilhoteiro

Receba nossas atualizações

Obrigado pelo envio!

Bisbi Notícias: Rua Constituição 318, Zona 1 - Cianorte PR - (44) 99721 1092

© 2020 - 2025 por bisbinoticias.com.br - Todos os direitos reservados. Site afiliado do Portal Universo Online UOL

 Este Site de é protegido por Direitos Autorais, sendo vedada a reprodução, distribuição ou comercialização de qualquer material ou conteúdo dele obtido, sem a prévia e expressa autorização de seus  criadores e ou colunistas.

bottom of page