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Donald Trump e o sonho imperialista: as patacoadas de um presidente e o destino manifesto em ação

A história dos Estados Unidos é marcada por uma constante tentativa de exercer controle global, muitas vezes sob a justificativa do Destino Manifesto. Durante o governo de Donald Trump, essa tendência ganha contornos ainda mais absurdos, com ele promovendo ideias que desrespeitam a soberania de outras nações e reforçam a visão de que os EUA têm o "direito divino" de comandar o mundo. Suas declarações e tentativas de interferência direta em territórios soberanos, como a proposta de compra da Groenlândia e a influência sobre conflitos internacionais, demonstram um comportamento que flerta com a tirania e desafia o direito internacional.

 


Desde o século XIX, os Estados Unidos justificam sua expansão e ingerência internacional por meio da doutrina do Destino Manifesto, a crença de que a nação foi escolhida para liderar e "civilizar" o mundo. Trump, com seu estilo autoritário e desprezo pelas normas diplomáticas, deu continuidade a essa tradição, mas de maneira caricata e desastrosa. Seu governo sempre tenta reforçar a presença dos EUA em diversas frentes, seja por meio de sanções, ameaças de guerra ou propostas absurdas de anexação de territórios.

 

Uma marca do governo Trump é a crença de que problemas complexos podem ser resolvidos com decisões unilaterais, muitas vezes sem planejamento ou respeito às normas internacionais. Ele frequentemente assina ordens executivas que buscam alterar políticas globais, como a retirada dos EUA de acordos climáticos e tratados internacionais, sem considerar as consequências dessas ações – como se uma “canetada” resolvesse o problema do mundo.

 

A presidência de Donald Trump representa um período de fortalecimento do intervencionismo e do desrespeito à soberania de outras nações. Sua postura autoritária e desprezo pelo direito internacional evidenciam uma tentativa de retomar um projeto imperialista ultrapassado, baseado no Destino Manifesto e na visão equivocada de que os Estados Unidos têm o direito de comandar o mundo. No entanto, as reações globais mostram que o tempo da dominação unilateral está cada vez mais sendo questionado, e a política da "canetada" não pode substituir o respeito às nações e à autodeterminação dos povos.

 

Alguns casos são marcantes. Vejamos:

 

A compra da Groenlândia: Apesar de estar em evidência agora, foi a partir de 2019 que ele, Trump, sugeriu que os EUA comprassem a Groenlândia da Dinamarca, uma proposta que foi recebida com descrença e indignação. E hoje, no seu novo mandato, isso voltou à tona e foi confirmado com uma ideia "coerente" com o seu governo. Harry S. Truman (presidente americano) chegou a oferecer à Dinamarca 100 milhões de dólares pela ilha em 1946 (durante a Guerra Fria), ou seja, não é algo novo. A ideia reflete a visão imperialista de que territórios podem ser adquiridos como mercadorias, ignorando completamente a identidade e a autonomia do povo groenlandês.

 

Sanções e pressão sobre o Canadá: Apesar de ser um dos aliados históricos dos EUA, o Canadá sofre repetidos ataques comerciais e diplomáticos durante o governo Trump. A imposição de tarifas e a tentativa de forçar mudanças em políticas internas canadenses mostram o desejo do presidente de exercer domínio sobre seus vizinhos, anexando território para ser tornar um estado americano.

 

O Caso da Faixa de Gaza: Em janeiro de 2025, Trump sugeriu que os Estados Unidos "assumissem o controle" de Gaza, removendo seus mais de 2 milhões de habitantes palestinos e transformando a área em um destino turístico, comparando-a à "Riviera do Oriente Médio". Ele propôs reassentar os palestinos em países vizinhos, como Jordânia e Egito, sem garantir o direito de retorno, o que foi amplamente criticado como uma forma de limpeza étnica.

 

Essas propostas foram recebidas com forte oposição internacional. Mais de 350 rabinos e diversas personalidades judaicas assinaram uma carta aberta condenando o plano de Trump, classificando-o como uma tentativa de limpeza étnica e enfatizando que os ensinamentos judaicos se opõem a tais ações.

 

Além disso, Trump emitiu um ultimato ao Hamas, exigindo a libertação imediata de todos os reféns israelenses, ameaçando romper o cessar-fogo caso suas demandas não fossem atendidas. Essa postura agressiva colocou em risco a frágil trégua entre Israel e o Hamas, aumentando as tensões na região.

 

As declarações de Trump têm sido amplamente criticadas por líderes internacionais, organizações de direitos humanos e membros da comunidade judaica, que alertam para as graves implicações humanitárias e legais de tais propostas.

 

Em contraste com tudo isso, precisamos ler a Palavra de Deus - e muito me assusta quando vejo cristãos apoiando irrestritamente ações de Trump - creio eu, por uma hermenêutica errada sobre o que a Bíblia diz sobre muita coisa.

 

Vejamos algumas coisas que são muito claras:

 

IMAGO DEI - A Bíblia ensina que todos os seres humanos são criados à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26-27). Qualquer proposta que envolva deslocamento forçado, violência contra civis ou políticas que ignoram o sofrimento humano entra em contradição com esse princípio fundamental. A remoção forçada dos palestinos, como sugerida por Trump, nega a dignidade inerente a essas pessoas e desconsidera a responsabilidade cristã de amar o próximo (Marcos 12:31).

 

A Bíblia enfatiza que Deus exige justiça das nações e dos governantes. O profeta Miquéias declara: "Ele te mostrou, ó homem, o que é bom; e o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus?" (Miquéias 6:8). Expulsar populações, causar sofrimento e promover políticas de exclusão e opressão não são compatíveis com o chamado divino à justiça.

 

Isaías 10:1-2 condena líderes que criam decretos injustos e negam direitos aos vulneráveis: "Ai dos que decretam leis injustas, dos que escrevem leis de opressão, para privar os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo."

 

Jesus criticou líderes que usavam seu poder para dominar e explorar as pessoas (Mateus 23:1-12). Ele contrastou a liderança mundana, baseada na força e no autoritarismo, com a liderança servidora do Reino de Deus.

 

A imposição de políticas que negam os direitos dos palestinos reflete um tipo de governo que Jesus rejeitou, pois Ele chamou seus seguidores para servirem e cuidarem dos mais fracos (Marcos 10:42-45).

 

As políticas de Trump em relação a Gaza e Israel não encontram respaldo na ética cristã e na teologia bíblica. O Evangelho nos chama à justiça, à misericórdia, à paz e ao respeito pela dignidade humana. O uso da força, a expulsão de populações e a perpetuação do sofrimento de um povo inteiro são contrários ao Reino de Deus e ao ensino de Jesus Cristo.

 

Se o cristianismo deve ter uma voz nesse debate, que seja a voz dos profetas que clamam por justiça e misericórdia, e não a voz do imperialismo e do poder opressor.

 

Pr. Gedeon Lidório

Instagram: @gedeonlidorio

 

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