top of page
236a7e59341bcfaf7ecf8bd6ba51d866.gif

De 31/março/1964 a 08/janeiro/2023.

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e comunicador.


O dia do aniversário do último golpe que deu certo no Brasil, 31 de março de 1964, é muito oportuno discutir algumas questões referentes à tentativa que se desenhou entre 2021 e 2023, segundo denúncias a serem comprovadas e julgadas pelo STF.



Sinceramente, minha preocupação é menor, ou quase nenhuma, com poderosos, dentre eles generais, que se despiram da decência e tentaram, pela força, reconstruir o resultado eleitoral, em enredo milimetricamente construído, como demonstram evidências, e até algumas provas, sobre a sequência dos fatos, desde a demonstração de força e os recados implícitos no 7 de setembro de 21 até aos esforços para convencer incautos que as urnas seriam fraudadas. Não tem inocência no desenho do golpe, mas sobram demonstrações claras de apego ao poder, sob o manto do patriotismo, como se a Pátria fosse apenas a deles e não do conjunto dos brasileiros.


Lula foi eleito com apenas sessenta milhões de votos, fração muito menor que a soma dos brasileiros, porém ligeiramente superior aos que escolheram seu opositor, Jair Bolsonaro, mas tem sido assim nas últimas eleições. Dilma e mesmo Jair também venceram seus concorrentes com diferença mínima e nem por isso tiveram contestações relevantes dos números. A questão não é essa porque, basta ler os números com frieza, é muito razoável concluir que o Brasil se divide em porções quase iguais de eleitores que preferem a direita e a esquerda, com um público pequeno flutuante que acaba definindo o resultado eleitoral.


Importante registrar que estou entre aqueles que transformou o juiz Sergio Moro em ídolo pelo comando da Lava Jato que reabilitou a alma nacional e, por pequeno período, nos fez acreditar que no Brasil “todos são iguais perante a lei”, quase desmentindo a versão popular de que no Brasil, cadeia é apenas para os três pês; pobre, puta e preto, jamais para o quarto deles, políticos. Todavia, Moro acreditou que os fins justificam os meios e atropelou os ritos legais, condenando Lula, de maneira justa segundo três instâncias, mas deixando brechas, por seu açodamento e urgência em prestar serviços à suas convicções e seus novos parceiros políticos, que reabilitaram Lula e permitiram sua candidatura, não como inocentado, mas descondensado, que resultou em sua vitória nas urnas em 22.


Uma leitura mais radical talvez avalie a hipótese de fraude eleitoral em 18, por tirar Lula da disputa, e mesmo em 22, por permitir sua candidatura, mas são questões superadas pelo judiciário e que, ainda que decepcionem, não podem interferir na vontade soberana do eleitor.


Preciso também recapitular as milicias petistas, tentativa mais sutil até por falta de aparato tecnológico, muito inferior ao gabinete do ódio, porém ambas as ações sem escrúpulos das siglas envolvidas para construir versões, para impor novas “verdades”, para manipular a consciência popular, sempre desejosos de consumir informações que combinem com suas crenças, se transformando em estratégias criminosas de convencimento eleitoral, se valendo de técnicas históricas, resumidas no receituário de Goebells, mas atualizadas e utilizadas por várias facções politicas de todas as matizes ideológicas.


Exatamente este vínculo entre a manipulação criminosa da opinião pública e a caminhada para nossa Praça da Concórdia de Paris, local histórico da guilhotina, no waze nacional localizada na Praça dos 3 Poderes, onde centenas ou milhares de brasileiros de boa-fé, conduzidos por monitores treinados, convencidos da missão divina de auxiliares dos salvadores da Pátria, cometeram excessos inadmissíveis e, salvo aqueles que optaram pelos acordos leniência, se submetem a penas absurdas por superarem aquelas impostas a pedófilos, estupradores ou políticos desonestos que invadem cofres públicos sem cerimônia, que precisa ser reavaliada para seguirmos em frente com a consciência nacional serena.


Não falo em anistia porque crimes, ainda que leves, precisam ser punidos para perpetuar o exemplo, inibir novas aventuras e, principalmente, para que o cidadão comum perceba que estava sozinho no caminho para o abismo. Jair Bolsonaro se escondeu em solo americano, generais covardes não mostraram a cara, muita gente do alto escalão terceirizou aos inocentes úteis a missão de gerar o caos. Nada foi ao acaso.


Com toda a franqueza, cientes do que faziam, transformaram cidadãos apaixonados por uma tese, por um mito, em infantaria política e, como nas batalhas da Idade Média, composta de soldados rasos e camponeses, lançados à frentes para enfrentar de peito aberto as baionetas, como peças sacrificadas para permitir a eventual vitória do exército, talvez kamikazes terrestres selecionados para missões suicidas, com alma e cérebro completamente dominados pela insanidade da polarização que desenhou o Brasil com duas faces; o céu de seus comparsas e o inferno representado pelo lado oposto. Era uma missão “divina”, defender a nação para preservá-la para os descendentes.


Não tem nada ao acaso! Foi estratégia criminosa para viabilizar um golpe e assisto estarrecido que a tese da anistia seja de novo usada com a “infantaria” à frente para salvar os que realmente atentaram contra nossa democracia.


Ninguém deseja que qualquer cidadão brasileiro abandone suas convicções ideológicas, precisamos de mentes que apontem para as diretrizes da esquerda ou conservadoras para que, com isenção, possamos escolher nossos caminhos, mas dispostos a renunciar de lideranças personalistas e vocacionadas apenas para o poder.


Triste ver o Brasil sem alternativa à esquerda ao descondenado Lula, quase octogenário e com agilidade mental em declínio e do outro lado preso ao histórico de péssimo militar, expulso do exército, idolatrando torturadores e buscando os descaminhos da democracia, inclusive porque a direita tem ótimos players, com menos voto, mas muito mais qualidade para serem líderes de um país que precisa se livrar das amarras do radicalismo.


Sim, prefiro um Brasil sem Lula ou Bolsonaro, seja de esquerda ou direita, mas despido de personalismo e ódio, ferrenho nas disputas eleitorais, mas coeso na missão de construir uma nação sólida.


E sem anistia porque nem 64 e nem o 8 de janeiro podem se repetir na nossa história, embora me associe ao clamor nacional pela revisão de penas dos inocentes úteis, sem antecedentes, armados apenas de suas ideologias que saíram de suas rotinas para ajudar naquilo que acreditavam, para na santa ingenuidade, forjada por milhões de fakes news criminosos que, seguidamente, os conduziu pela hidroxicloroquina, ivermectina, negação das vacinas, urnas fraudadas e todo o enredo construído nos últimos anos, muitos deles ainda enraizados na mente de parcela significativa da população.


Julgamento justo aos golpistas, mas revisão imediata das penas contra as vítimas da manipulação criminosa poque seu único crime foi acreditar em seus mitos políticos.

 

Comments


21212121.png
WhatsApp Image 2024-12-11 at 15.32.31.jpeg

Nota do editor: os textos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais iconográficos publicados nos espaços “colunas” não refletem necessariamente o pensamento do bisbilhoteiro.com.br, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

* As matérias e artigos aqui postados não refletem necessariamente a opinião deste veículo de notícias. Sendo de responsabilidade exclusiva de seus autores. 

Portal Bisbilhoteiro Cianorte
novo-logotipo-uol-removebg-preview.png
Selo qualidade portal bisbilhoteiro

Receba nossas atualizações

Obrigado pelo envio!

Bisbi Notícias: Rua Constituição 318, Zona 1 - Cianorte PR - (44) 99721 1092

© 2020 - 2025 por bisbinoticias.com.br - Todos os direitos reservados. Site afiliado do Portal Universo Online UOL

 Este Site de é protegido por Direitos Autorais, sendo vedada a reprodução, distribuição ou comercialização de qualquer material ou conteúdo dele obtido, sem a prévia e expressa autorização de seus  criadores e ou colunistas.

bottom of page