BOLSONARO - TRAIÇÃO E ABANDONO
- Nelson Guerra
- 19 de fev.
- 2 min de leitura
“Na política as únicas certezas são a traição e o abandono”, é o ditado popular que Bolsonaro teme se concretizar.
Por Nelson Guerra, professor e analista político
No cenário político brasileiro atual, a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seus aliados parece cada vez mais delicada. Assim como não há movimentos de rua pedindo anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de oito de janeiro, acredita-se que, se o mesmo ocorrer em relação ao ex-presidente, vai ser muito difícil às autoridades bolsonaristas no Congresso Nacional conseguirem qualquer reversão em benefício de Bolsonaro. O mais provável será o abandono ao ex-mito.

Recentemente, as notícias têm destacado o crescente isolamento político de Bolsonaro, mesmo entre aqueles que antes eram seus fiéis seguidores. A ausência de manifestações populares significativas em seu apoio, somada às investigações em curso sobre seu possível envolvimento nos eventos do oito de janeiro, têm contribuído para esse cenário. Além disso, a falta de uma base sólida no Congresso, que agora parece mais preocupada em garantir sua própria sobrevivência política do que em defender um líder em declínio, reforça a ideia de que o abandono é inevitável.
O fato de seu candidato a vice nas últimas eleições presidenciais, o general Braga Netto, estar preso há sessenta dias por atrapalhar as investigações da Polícia Federal, é mais um ingrediente preocupante para a cúpula bolsonarista.
Como diz o ditado popular, na política as únicas certezas são a traição e o abandono. Esse princípio parece estar se concretizando de maneira clara no caso de Bolsonaro. Enquanto isso, as autoridades bolsonaristas no Congresso Nacional, que antes podiam contar com um apoio mais robusto, agora enfrentam dificuldades para mobilizar qualquer tipo de reversão em benefício do ex-presidente. A tendência é que, diante das pressões e do risco de desgaste político, muitos desses aliados optem por se distanciar, priorizando suas próprias carreiras e interesses.
Outro problema que dará muito trabalho para a defesa de Bolsonaro é a repercussão negativa em relação ao plano para matar o presidente eleito Lula, cuja minuta foi impressa pelo núcleo bolsonarista, por displicência, em impressora do Palácio do Planalto que possui registro de histórico de impressão, produzindo provas contra os próprios acusados.
A recente publicação da denúncia publicada pela Procuradoria Geral da República (PGR) e a retirada do sigilo da delação premiada de Mauro Cid, promovida pelo ministro Alexandre de Moraes nesta terça (19), escurecem ainda mais qualquer plano de redenção a Bolsonaro.
Portanto, diante do cenário político brasileiro atual, com o enfraquecimento do apoio político a Bolsonaro, a possibilidade de abandono por parte dos aliados, e sem o esperado apoio popular, torna-se mais concreta. A história política brasileira já demonstrou que, diante de crises e ameaças judiciais, antigos aliados não hesitam em se distanciar para garantir a própria política de sobrevivência.
(Professor Guerra, analista político)
Uma análise fundamentada e equilibrada. O Jair está numa enorme saia justa e vai ter que se virar nos trinta. Está cada vez mais perto das "quatro linhas" da cela...