Aliados de Bolsonaro preveem derrota sólida no STF
- Marcio Nolasco
- 25 de mar.
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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal começa hoje a decidir se aceita a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados por suposta tentativa de se manter no poder após sua derrota nas eleições de 2022 — e nem o mais otimista apoiador tem esperanças de que ele escape de se tornar réu. Após fracassar a tentativa da defesa do ex-presidente de afastar do julgamento por suspeição os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin, a expectativa é de que a Primeira Turma, composta ainda por Alexandre de Moraes, relator da ação, Luiz Fux e Cármen Lúcia, aceite a denúncia por unanimidade. Além de Bolsonaro, são acusados Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Almir Garnier, Mauro Cid, Anderson Torres, Paulo Sérgio Nogueira e Alexandre Ramagem. A decisão deve ser tomada na quarta-feira.
Confira sete pontos principais em que se baseiam as denúncias contra Bolsonaro.
Com ou sem esperanças, Bolsonaro pretende assistir ao julgamento, que será transmitido pela TV Justiça, em Brasília, na companhia de aliados como o deputado Luciano Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara, e outros integrantes do partido.
A segurança do STF será reforçada com a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e a Corte vai implementar um plano de ação para evitar ataques cibernéticos.
Enquanto as atenções estão voltadas para o ex-presidente, dois outros casos de grande repercussão no Supremo foram colocados em ponto morto. O ministro Kássio Nunes Marques pediu vista no julgamento da deputada Carla Zambelli (PL-SP), acusada de porte ilegal e constrangimento com uso de arma de fogo. Em outubro de 2022, na véspera do segundo turno, ela perseguiu armada um homem pelas ruas de São Paulo. Nunes Marques tem 90 dias para devolver o processo, mas os demais ministros podem continuar votando no plenário virtual. Cristiano Zanin e Dias Toffoli deram o quinto e sexto votos para condenar a deputada, formando maioria.
Já o ministro Luiz Fux pediu mais tempo para analisar o caso da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que participou dos ataques de 8/1 e pichou a estátua da Justiça na frente do Supremo com a frase “perdeu, mané”. Sob a alegação de que ela cometeu outros crimes ao participar dos atos golpistas, o relator Alexandre de Moraes a condenou a 14 anos de prisão e foi acompanhado até o momento por Flávio Dino. Fux pretende analisar todas as acusações imputadas a ela pela PGR.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que vai concorrer à reeleição em 2026 e que Bolsonaro é seu candidato a presidente, embora o ex-presidente esteja inelegível. “É simples: meu candidato à Presidência da República é Jair Bolsonaro e eu vou ser candidato à reeleição em São Paulo”, disse Tarcísio ao participar do podcast Inteligência Ltda com seu ex-chefe.
Já o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), disse que Bolsonaro tem o direito de continuar se posicionando como candidato, apesar da inelegibilidade. Em evento com empresários, Nunes também questionou o julgamento do ex-presidente no STF, uma vez que Bolsonaro “não tem foro privilegiado”.
Pegou mal a publicação no Instagram na qual a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, recomendou que as pessoas pegassem o “empréstimo do Lula”, referindo-se ao consignado CLT. Os deputados do Novo encaminharam uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) contra a ministra por “suposta promoção pessoal” do presidente, o que violaria o princípio constitucional da impessoalidade. Gleisi apagou a postagem de sua conta.
O governo dos Estados Unidos se viu numa situação constrangedora quando Jeffrey Goldberg, editor-chefe do jornal The Atlantic, revelou ter sido incluído em um grupo de mensagens no aplicativo Signal no qual o secretário de Defesa, Pete Hegseth, discutiu aberta e detalhadamente um ataque de seu país contra rebeldes houthis no Yemen, duas horas antes de as bombas caírem. Além de Hegseth, participam do grupo nomes de peso, como o vice-presidente, J.D. Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio. Entre emojis de socos e bandeiras dos EUA, eles trocaram informações sensíveis do governo sem saberem que a imprensa estava lendo tudo.
Ao ser questionado sobre o episódio, o presidente Donald Trump ficou sem ação. “Eu não sei de nada. Você está me contando isso pela primeira vez”, respondeu, antes de sair às pressas da sala. Já a oposição democrata não perdeu tempo. “Cabeças têm de rolar”, disse o deputado Chris Paluzio, enquanto o senador Chuck Schumer cobrou uma “investigação detalhada”.
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