A Máscara Conservadora: Hipocrisia e Contradições no Discurso Moralista
- Leonna Moriale
- há 8 horas
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O Brasil, paradoxalmente, ostenta tristes recordes que escancaram a hipocrisia de um certo discurso conservador, este ainda frequente na cidade de Maringá. Somos o país que mais assassina pessoas trans no mundo, enquanto simultaneamente lideramos o consumo de pornografia trans. Essa dissonância brutal revela uma sociedade complexa, marcada por contradições gritantes entre o que se prega publicamente e o que se pratica na intimidade.

É estarrecedor constatar a quantidade de relatos de homens aparentemente integrados à sociedade – casados, com filhos, frequentadores de igrejas – que perpetuam a violência doméstica, exploram a prostituição travesti e, ironicamente, acusam a comunidade LGBTQIAP+ de querer "destruir a família". Essa projeção de culpas é uma tática perversa para desviar o foco de suas próprias falhas morais e manter um verniz de respeitabilidade, não por se sentir atraído romântica ou sexualmente por travestis, mas por adotar a mentira como filosofia de vida. A expulsão de filhos LGBTI+ de casa, sob o pretexto de defender valores familiares tradicionais, é um ato de crueldade que desmente qualquer discurso de amor e acolhimento.
Em nossa própria Maringá, a Avenida Colombo ilustra essa hipocrisia de forma emblemática. Durante o dia, trabalhadores das mecânicas podem proferir piadas e comentários depreciativos contra as travestis que ali transitam. Contudo, a noite revela uma outra face, onde muitos desses mesmos homens buscam os serviços dessas trabalhadoras do sexo. A Colombo, conhecido ponto de prostituição, enfrenta a concorrência de uma avenida próxima que se transformou em um motel a céu aberto, expondo a fragilidade da moralidade seletiva que condena em público o que se consome em segredo, a diferença é que nesta avenida, os favores sexuais não são cobrados, tudo é liberado! E as travestis? A profissão mais antiga da humanidade fica de escanteio.
A lúcida afirmação de Erika Hilton ecoa a realidade vivida pela comunidade LGBTQIAP+: "Não existe uma guerra entre cristãos e LGBTs, mas sim a tentativa de defender os poucos direitos que ainda nos restam". A busca por igualdade e respeito não é uma ameaça a nenhuma fé genuína, mas sim um clamor por dignidade humana. Os mandamentos de amor ao próximo, tão centrais em diversas religiões, carregam em si um potencial revolucionário de empatia e inclusão.
Entretanto, o que observamos em grande parte do discurso conservador contemporâneo é uma profunda hipocrisia. Revestido de uma aura de moralidade e defesa de valores tradicionais, ele frequentemente se revela violento, excludente e fundamentalmente vazio de amor e compaixão. A seletividade moral que condena as minorias enquanto fecha os olhos para as próprias transgressões e contradições expõe a fragilidade de um discurso que se sustenta mais na intolerância e no medo do que em princípios éticos consistentes. É urgente desmascarar essa hipocrisia e resgatar a essência dos valores que verdadeiramente promovem uma sociedade justa e acolhedora para todos.
Leonna Moriale
Travesti Arte’ativista
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